[Reflexão] Desconectar-se para Conectar-se

Você está em uma pizzaria, um restaurante ou na praça de alimentação de algum shopping.

Ou talvez você esteja em um churrasco entre amigos, um almoço de família ou sentado à beira da piscina.

Mas o que estas situações tem em comum?

Em cada um desses cenários, a probabilidade de que haverá algum indivíduo com um celular nas mãos é enorme. Ou indivíduos, no plural.  Ou quem sabe todos.

Onde foi parar aquele clima de bate papo descontraído, as tirações de sarro, as narrativas exageradas de “causos” da vida?

As conversas hoje em dia parecem girar em torno do “Saca só o que esse cara fez nesse vídeo!” ou então “Olha só essa foto da fulana em Nova Iorque!” ou ainda “Esse aplicativo aqui salvou a minha vida!“.

Desconectar-se para Conectar-se: Amigos ao redor de aparelhos eletrônicos

E como é mesmo o nome daquele ator que faz aquela série? Não fiquemos em dúvida! Dá uma googlada aí e pronto! Não é mais preciso pensar e nem fazer qualquer esforço para ativar aquela área do cérebro que traz o nome à lembrança.

Mas o que é isso? que besteira que eu estou escrevendo?

É claro que existe interação entre as pessoas, sim! Na hora de tirar a tal da selfie do encontrinho a galera se junta, incham as bochechas com seu melhor sorriso instagramável e voilá! A próxima frase da mesa tem grandes chances de ser “encaminha pra mim pelo whats”, seguida de um coro “pra mim também, pra mim também” e concluída por “vamos criar um grupo, aí todo mundo recebe”.

Afinal de contas, de que vale o encontro dos amigos se ele não for provado através de um post nas redes sociais? (Fora que o ciclano vai se corroer de inveja por não ter sido convidado!).

Tá certo isso, produção?

Eu ando me perguntando: que tal se recarregássemos a nós mesmos com a mesma frequência com que recarregamos o nosso celular?

Que tal nos conectarmos às pessoas realmente estando ali, dispensando sua plena atenção ao momento, sem permitir que bipes nos distraiam das conversas, sem aquela desculpa do tipo “deixa só eu responder esse e-mailzinho” (que logo se tornam dois, três, quatro…), ou então “eu só vou tirar uma foto rapidinha desse prato tão lindo”.

Desconectar-se para Conectar-se: Amigas confraternizando

Será que estou exagerando?

Pode até ser… Mas como você se sentiria se ficasse sem o seu aparelho celular durante um final de semana inteiro? Me refiro à viajar para algum lugar e deixá-lo em casa, sozinho, abandonado em cima da mesa, com notificações bipando freneticamente, mensagens dos grupos em polvorosa. Que aflição!

Existe aquele ditado engraçadinho que diz “onde quer que você esteja, você sempre estará lá“. Será mesmo? Pare para pensar: será que as suas atitudes, reações e até mesmo respostas para alguma pergunta estão no piloto automático, sem você dispensar a devida atenção?

Uma pesquisa Canadense conduzida pela Microsoft concluiu que o alcance do período de atenção que dispensamos à algo caiu para 8 segundos, em contraste com os 12 segundos que tínhamos no ano 2000. De acordo com este estudo, hoje o nosso período de atenção é menor do que o de um peixinho dourado, que consegue se concentrar por 9 segundos.

Desconectar-se para Conectar-se: Continue a nadar

Será que em breve todos nos tornaremos a Dory, amiga do Nemo?

E eu me questiono: será que você leu este texto até aqui ou a sua atenção se dispersou por entre as trocentas abas abertas em seu navegador?

Parabéns se você chegou até aqui!

E se depois de ler esta reflexão, você decidiu tentar se desconectar um pouco, deixe eu lhe alertar para as consequências deste ato insano.

Os efeitos colaterais da vida real:

– Na vida real, as pessoas falam todas ao mesmo tempo. Não existe uma linha verdinha listada em uma telinha para cada fala… às vezes você nem saberá em quem prestar atenção!

– Ocorrem eventuais crises de riso devido à fatos da vida real. O mais legal é que alguns são presenciados ao vivo, e não apenas vistos através de um vídeo, acredita?

– Existem situações em que piadas são contadas e você perceberá reações de “chorando de rir” ou “surpresa” descritas fielmente no rosto das pessoas ao seu redor, sem precisar da ajuda de emojis.Desconectar-se para Conectar-se: Emoji da vida real

Desconecte-se.
Mas só depois de me seguir nas redes sociais. 😉

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