Road Trip de Outono: Boston, Salem, Portsmouth e North Conway (parte 1 de 3)

Depois de um bate-volta rápido a Newport para conhecermos um pouquinho do estado de Rhode Island, iniciamos oficialmente a nossa road trip na direção norte, rumo à fronteira com o Canadá na cidade de Burlington. Nesta viagem rodamos pelos estados de Massachussets, New Hampshire e Vermont.

A propósito, eu li em vários sites que a época do outono americano e canadense (conhecida como Fall Folliage Fall.pngEmoji de folha de outono), e eu pude comprovar com os meus próprios olhos que este período é realmente magnífico e confere uma visão inigualável! Nada aqui no Brasil se compara com a pluralidade das cores da vegetação que testemunhei nesses dias! Se você for fazer algo parecido com este trajeto, recomendo fortemente que você considere ir entre os meses de outubro e novembro. Já é um tantinho mais frio – isso é verdade (pode tirar as suas regatas da mala!) – mas é absolutamente tolerável, principalmente se você comparar com o inverno rigoroso que atinge essa mesma região a partir de dezembro.

Nós zarpamos cedinho da cidade de Burlington, Massachussets com destino à sua xará Burlington do estado de Vermont com pernoite nas cidades de North Conway e Stowe para podermos ver tudo sem nenhuma pressa e com paradinhas estratégicas durante o caminho!

Motores ligados… vamos nessa!


rOAD TRIP #1: SALEM, MASSACHUSETTS

A nossa primeira parada foi na encantadora cidade de SALEM. E quando digo “encantadora”, significa ser em todos os sentidos da palavra! Esta é a cidade das famosas “Bruxas de Salem”! E não é que as indivíduas estão presentes por toda a cidade? Não tem como fugir!

Road Trip: Cartaz espalhado pelas ruas de Salem: "<em>Bruxa vista na floresta - evite a área! Duas milhas ao norte após a Ponte Old Stone. Conhecida por usa feitiços de magia negra.

Cartaz espalhado pelas ruas de Salem: “Bruxa vista na floresta – evite a área! Duas milhas ao norte após a Ponte Old Stone. Conhecida por usa feitiços de magia negra.

Emoji de Metrô Só abrindo um “PS” aqui: se você estiver em Boston, não tiver alugado um carro mas mesmo assim quiser dar um pulinho em Salem, tem um jeito bem fácil: Da North Station em Boston você pode pegar o trem na direçao de Rockport até a Salem Station. A viagem é relativamente curta, cerca de meia hora. O valor é de USD 7.50 o trecho e se você quiser comprar a passagem antecipada, pode fazê-lo aqui.

Salem tem um centrinho relativamente pequeno e você pode conhecer a pé boa parte dele.

Estacionamos o carro próximo ao Visitor Center (que fica na 2 New Liberty Street) e pegamos um dos mapas gratuitos disponível lá, mas que você também acha fácil nas lojinhas de souveniers espalhadas pela cidade.

Road Trip: Foto da trilha auto-guiada por Salem demarcada no chãoE se você gostou da ideia de uma trilha auto-guiada demarcada no chão como a Freedom Trail de Boston, você vai gostar de saber que em Salem existe a Heritage Trail – uma linha vermelha pintada no chão e que conecta as principais atrações da cidade e seu centro histórico.

Neste link abaixo você pode fazer o download do mapa de caminhada dessa trilha:

mapaSalem-Heritage-Trail-Map

E olha que legal: se você é mais “tradicional” e prefere segurar um mapa MESMO de papel em suas mãos para fazer o planejamento, o site oficial da cidade manda pra você um guia de graça em sua casa! É só preencher umas informações básicas onde diz “Want an old-fashioned hard copy?” neste site aqui e eles entregam no seu endereço em até 3 semanas! Eu pedi, e chegou mesmo! Agora se o guia vem pelos Correios tradicionais ou por alguém voando de vassoura eu não saberia dizer…

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UM POUQUINHO DE HISTÓRIA: AS BRUXAS DE SALEM

Em janeiro de 1692, a filha e sobrinha do Reverendo Samuel Parris da Vila de Salem ficou doente. William Griggs, o médico da aldeia, foi chamado quando ela não apresentava melhoras. O seu diagnóstico de “feitiço” deu início à certas medidas que acabariam por resultar na morte por enforcamento de dezenove homens e mulheres. Além disso, um homem foi espancado até a morte; vários outros morreram na prisão, e as vidas de muitos foram irrevogavelmente afetadas para sempre.
Para entender os acontecimentos dos julgamentos das bruxas de Salem, é necessário entender as vezes em que ocorreram acusações de feitiçaria. Havia as tensões normais da vida do século 17 na colônia de Massachusetts Bay. Uma forte crença no diaQuadro retratando uma Bruxa de Salem em Julgamentobo, facções entre as famílias da vila de Salem e rivalidades com cidades das proximidades combinado com uma recente epidemia de varíola e com a ameaça de ataque de tribos em guerra criou um terreno fértil para o medo e a desconfiança. Logo, as prisões estavam cheias com mais de 150 homens e mulheres de cidades vizinhas a Salem; seus nomes tinham sido “gritados” por meninas atormentadas como a causa de sua dor. Todos aguardariam julgamento por um crime punível de morte na Nova Inglaterra do século 17: a prática de bruxaria.
Em junho de 1692, os Tribunais de Oyer e Terminer reuniram-se em Salem para ouvir a respeito dos casos de bruxaria. Presidida pelo chefe de Justiça William Stoughton, o tribunal foi constituído por magistrados e jurados. A primeira a ser julgado foi Bridget Bishop de Salem que por ser considerada culpada, foi enforcada em 10 de junho. Treze mulheres e cinco homens de todas as idades foram condenados à forca, em três dias consecutivos de enformamentos antes da corte ser dissolvida pelo governador William Phipps em outubro do mesmo ano. O Tribunal Superior da Magistratura, formado para substituir o tribunal da “bruxaria”, não permitiu evidência espectral. Esta crença no poder dos acusados de usar as suas forças ocultas para torturar suas vítimas tinha selado o destino daqueles que foram julgados pelo Tribunal de Oyer e Terminer. O novo tribunal liberou os demais que aguardavam julgamento e perdoou aqueles que apenas aguardavam a sua execução. Com efeito, os julgamentos das bruxas de Salem tinham oficialmente acabado.
Conforme os anos passaram, pedidos de perdão foram declarados oficialmente e restituições foram realizadas para as famílias das vítimas. Historiadores e sociólogos examinaram este que foi um dos episódios mais complexo da história americana para que pudéssemos compreender as questões da época e visualizar os eventos subsequentes com maior consciência. Os paralelos entre os julgamentos das bruxas de Salem e exemplos mais modernos de “caça às bruxas”, como as audiências McCarthy da década de 1950, são notáveis.


ROAD TRIP #2: PORTSMOUTH, NEW HAMPSHIRE

Road Trip: Foto da belíssima Igreja North Church em Portsmouth bem no meio da Market Square

Sabe aquelas cidadezinhas de interior que aparecem nos filmes e séries americanas e você fica morrendo de vontade conhecer? (No meu caso, Gilmore Girls!)

Portsmouth é assim: o centrinho histórico parece cinematográfico de tão perfeita com seus tijolinhos vermelhos e antigos. E o que se dirá da belíssima igreja North Church de 1854 com seu distinto campanário? Ela coroa a Market Square, o centrinho e local principal da vida social da cidade. Lá que estão concentrados cafézinhos, lojas, livrarias, restaurantes e lanchonetes. Tem também uma farmácia que é até bem interessante por ser uma drogaria tipo “das antigas”, sabe? Nada a ver com as gigantes de rede como  Wallgreens ou CVS – essa daqui oferece algumas opções bem alternativas, mais “naturebas”. Bem bacana!

Road Trip: Foto do centrinho de Portsmouth - Market Square

Esta cidadezinha foi a nossa parada estratégica para uma boquinha de almoço. Não estávamos com fome para justificar uma ida à um restaurante tradicional, então optamos por um lanche. Dentre as opções do centrinho, escolhemos um lugar “às cegas” mas que descobrimos acertar em cheio: o Bennett’s Sandwich Shop. O slogan “Sandwiches as big as the Legend” (Sanduíches tão grande quanto a lenda!) talvez tenha nos convencido! O lugar oferece lanches bem generosos podendo ser quentes ou frios e que vão desde carne, frango, peru e lagosta (que por sinal é uma iguaria muito típica na região) até opções vegetarianas e saladas. Experimentei o carro chefe deles – o Steak Cheese – com carnes cortadas em tirinhas, queijo, cebolas e aquele tipo de champignon americano. Bem gostoso e suculento! Já o marido optou pelo Meatball Cheese, e o veredito empolgado dele é de que este foi o melhor sanduíche de almôndegas que ele já comeu na vida!

Na saída da cidade, vale ainda dar um pulinho no Prescott Park, que é um parque pequeno na beira do rio, muito bem conservado e com uma jardinagem variada e exuberante (dependendo da época do ano, claro). Se você der sorte, pode até assistir um concerto ou uma peça musical na praça (principalmente no verão)!

Enfim… vale muito a pena dispensar uma ou duas horinhas para caminhar pelas ruazinhas agradáveis da Market Square para sentir esse clima interiorano da cidade!


ROAD TRIP # 3: NORTH CONWAY, NEW HAMPSHIRE

Esta foi a nossa primeira cidade de pernoite da road trip. Mas por que, afinal de contas, escolhemos justamente a cidade de North Conway como destino do primeiro dia? O motivo é simples e totalmente justificável para qualquer turista: compras!

Deixamos de comprar em todas as cidades anteriores à esta (Orlando, Boston, Newport) com o objetivo de enchermos as sacolas especificamente aqui nesta cidade, e por uma simples razão: o estado de New Hampshire é um dos poucos estados americanos que não coleta tributos sobre as compras! É isso mesmo: o preço que você vê na etiqueta é o preço final que você pagará no caixa!

E em uma situação como esta, nada melhor do que um baita outlet pra dar aquele ânimo, não é? Apresento-lhes então o Settler’s Green Tax-Free Outlet Mall!

Road Trip: Foto do Outlet praticamente vazio em North Conway

Parece aqueles desenhos de projeto, mas por incrível que pareça não é! É bem gracinha assim mesmo e estava vazio!

O shopping é basicamente um concentrado de lojinhas naquele estilo de vila. A maioria das marcas preferidas dos brasileiros marcam presença lá: Nike, Adidas, Under Armour, New Balance, Levi’s (que a propósito, se pronuncia “leváis” em inglês!), Old Navy, Timberland, Tommy Hilfinger (que é praticamente a embaixada brasileira nos Estados Unidos – independente da cidade que você estiver, sempre vai encontrar um brasuca lá dentro!), entre outras… Infelizmente não tem Victoria’s Secret, mas isso a gente pega no duty free se precisar, não é? A lista completa de lojas neste shopping você encontra neste link aqui

Okay, okay… nos não pagamos imposto, mas quem disse que não queremos desconto?

Como em todo outlet, vale a pena imprimir aquele livrinho de descontos esperto antes de viajar! O deste shopping, você pode imprimir o atualizado clicando aqui.

Fora o shopping, o centrinho da cidade (que é um pouco mais adiante na mesma rodovia) é bonitinho, mas não tem taaaanta coisa assim pra ver… Se você quiser dispensar uma meia hora para ir até lá e conhecer, para não ter dúvidas de que passou do grandioso centro, coloque no GPS a loja “Horsefeathers” na White Mountain Highway como referência. Não tem erro!

O hotel que escolhemos fica localizado bem em frente ao shopping, à ponto de poder ir a pé. Chama-se Golden Gables Inn (endereço: 1814 White Mountain Highway, North Conway) e quando fiz a reserva, ele era o mais em conta da região. A estadia foi MUITO decente: um quarto bem grande com bastante espaço para sacolas, cama enorme (king) e bem confortável, banheiro limpo e espaçoso e com uma linda área externa de piscina e jacuzzi. Não serve, porém, café da manhã, o que por nós foi resolvido pelo Dunkin’ Donuts logo adiante na mesma avenida!

Ah… e o meu saldo de compras? Um par de óculos de sol pra mim e pro marido! (Será que sou apenas eu que acho que os Outlets não são mais tão bons quanto eram antigamente?)

Enfim… só para abrir um parêntesis aqui, depois que chegamos cansados no final da tarde ao hotel, algo que ficou marcado para mim é que este foi o dia do primeiro debate político entre Hillary e Trump. Achei um baita show de comédia, muito melhor do que Saturday Night Live! Lembro de dar muita risada com as interrupções sem precedentes de Trump – Wrong! ou Wrong again! – e lembro de ter pensado: Mas que figura! Essa a Hillary vai ganhar de lavadal! Hoje nós já sabemos que as plaquinhas que nós víamos espalhadas nos terrenos das casas e em alguns estabelecimentos de New Hampshire e Vermont – “Make America Great Again” – eram um prenúncio do que estava por vir…

Road Trip: A Cereja do Bolo: Kangamagus highway

Enfim… de volta à viagem: para o dia seguinte, tínhamos a cereja do bolo da road trip: a rota cênica de Kancamagus Highway.

Nós só não contávamos com aquele tempo completamente nebuloso logo que abrimos a janela…

… TO BE CONTINUED! 😀

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